Em um condomínio de luxo da capital paulista, um casal tem a casa
invadida por um vizinho de 62 anos e é morto a tiros. Somente a filha
deles, de 1 ano, sobrevive. O atirador é um empresário que estava
incomodado com um barulho no apartamento ao lado.
O caso, ocorrido na
última sexta-feira (24), foi lembrado hoje (27) pelo secretário de
Segurança Pública do estado, Fernando Grella, ao lançar a parceria com o
Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) para difusão da campanha Conte até 10. Paz. Essa é a atitude, que pretende conscientizar a sociedade para evitar homicídios cometidos por impulso.
De acordo com o secretário, cerca de 30% dos homicídios no estado estão
relacionados a motivações banais, como discussões no trânsito, brigas
em bares ou entre vizinhos, além da violência doméstica. Em suma, o
motivo de toda essa tragédia foi a intolerância, a incapacidade do ser
humano de refletir sobre a preciosidade da vida, de parar um instante
para analisar seus próprios atos, disse. No estado de São Paulo, somente
em 2013, cerca de 490 pessoas foram mortas por razões fúteis e, no ano
passado, foram mais de 1,5 mil vítimas.
A iniciativa do
Ministério Público começou em novembro 2012 e agora será ampliada
especialmente na Grande São Paulo e em algumas cidades do interior, como
Campinas, além da Baixada Santista e do Vale do Paraíba. A parceria irá
viabilizar anúncios em jornais e rádios e a distribuição de cartazes em
escolas e estações de trem e metrô. Aderir a essa campanha significa
difundir a ideia de que, ao lado das ações que o estado precisa adotar
de combate à criminalidade, temos que ter medidas preventivas, que são
de responsabilidade da própria sociedade, disse Taís Shilling, membro do
CNMP e coordenadora da campanha.
Ela relatou que a iniciativa
foi pensada a partir da percepção dos promotores de que grande parte dos
processos criminais em que atuavam pode ter sido evitada. Os promotores
dão depoimentos de certa frustração de estarem em um júri defendendo a
condenação de alguém que não é bandido, que não escolheu a criminalidade
como meio de vida. São pessoas que perderam a cabeça em determinado
momento e estragaram a vida de duas famílias, a dele e a da outra
pessoa, declarou. Ela acredita que a consciência de que todos estão
sujeitos a esse tipo de situação pode ajudar a frear essa atitude.
Para Carolina Ricardo, coordenadora de Gestão da Segurança Pública do
Instituto Sou da Paz, essa ação deve estar ligada a outras medidas, como
o combate e o controle de armas de fogo no país. Essa é uma importante
medida que já tem reduzido significativamente as mortes. A presença da
arma de fogo nesses conflitos é um dos fatores que catalizam e geram um
homicídio ou crime mais violento, defendeu. Ela reforçou a importância
da campanha como meio de incentivar a resolução pacífica de conflitos.
As peças publicitárias da campanha são estreladas por atletas de MMA
(sigla em inglês para Mixed Martial Arts), como Anderson Silva, Cigano
Júnior; e judô, como Sarah Menezes e Leandro Guilheiro. São pessoas que
na sua vida pessoal defendem uma convivência pacífica. Por serem
atletas, naturalmente precisam desenvolver a disciplina, a tolerância, a
conviver com a derrota. Eles passam a mensagem de que a luta é no
tatame, no octógono, no ringue. Na vida, tem que ser da paz, disse a
coordenadora.
Agência Brasil
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