sábado, 31 de agosto de 2013

'' NOVA CLASSE MÉDIA''

Lançamento de livro enseja debate sobre a 'nova classe média'


Os intelectuais presentes, entre eles Sonia Fleury, Cândido Grzybowski e o português Elísio Estanque, discutiram a a real situação da dita nova classe média, a inclusão pelo consumo, os interesses por trás da elaboração da ideia de que há uma classe média diferente hoje, qual pode ser o papel político dela.


Aconteceram na última terça-feira (27) dois debates que marcaram o lançamento do livro “A ‘Nova Classe Média’ no Brasil como conceito e projeto político”, organizado pelo diretor no Brasil da Fundação Heinrich Böll, Dawid Danilo Bartelt. 
O livro traz uma série de investigações que se debruça sobre fatos como a real situação da dita nova classe média, a inclusão pelo consumo, os interesses por trás da elaboração da ideia de que há uma classe média diferente hoje, qual o papel político dela, entre diversos outros temas.

O debate foi dividido em duas partes, e os autores que tiveram textos incluídos no livro compuseram as mesas. Na primeira mesa estavam Waldir Quadros, Sonia Fleury, Christiane Uchôa e o português Elísio Estanque.



A professora da Universidade Federal Fluminense Christiane Uchôa apresentou uma série de dados que demonstram, de maneira bastante evidente, como a inclusão dos setores sociais que passaram a ser denominados classe média tem limites, na verdade, muito restritos. É possível verificar-se, por exemplo, como a essa classe média ainda falta muito em termo de educação e saúde, por exemplo.



Já Waldir Quadros, que é professor da Unicamp, classificou a “nova classe média” como um “grande marketing”. Da parte dos setores mais conservadores da sociedade, que nunca tiveram nenhuma preocupação com “os pobres”, segundo ele, o discurso que revigora a ideia de nova classe média permite afirmar que é possível se fazer inclusão social mesmo com essa política econômica. “É uma defesa, pelo social, do caráter conservador da política econômica”, afirmou.



Já Sonia Fleury, da FGV, ligou a ideia de classe média à política dos grandes eventos, como Copa do Mundo e Olimpíadas, e explicitou que a ideia de classe média está ligada à ideia de qual democracia queremos.



O português Elísio Estanque falou sobre o valor político da classe média. Segundo ele, muitos dos movimentos mais progressistas ao longo da história foram animados por ela. Ele falou ainda que há um discurso dominante que diz que a classe média está aí, em crescimento. Mas em Portugal, na Europa, e principalmente na Europa do Sul, “há um impulso para o descontentamento diante do empobrecimento da classe média”.



No período da tarde, o debate foi mais participativo. A partir das falas de Cândido Grzybowski, Ligia Bahia e Nina Madsen, a temática se ampliou, com mais questionamentos às políticas de governo. Nina Madsen, por exemplo, falou do impacto do projeto de desenvolvimento econômico para negros e negras, jovens e, principalmente, mulheres, os três grupos considerados os principais componentes dessa nova classe média.



Outro tema tratado foi a existência de um ambiente de grande regressão, a partir da aliança do governo com setores muito conservadores e religiosos.”

 Rodrigo Mendes, Carta Maior

MAIS UMA CRISE

ESCRITO POR ADRIANO BENAYON   SEXTA, 30 DE AGOSTO DE 2013

01. Transcorreu agora o 59º aniversário do modelo dependente, implantado a partir de 24 agosto de 1954, data da deposição do presidente Getúlio Vargas.

02. O atual quadro da economia brasileira deixa clara a iminência de mais uma devastadora crise externa, tão ou mais profunda que as anteriores, como a que levou à moratória submissa em setembro de 1982 (cessaram os pagamentos por falta de divisas), e a do final de 1998, com o mesmo problema.

03. É o déficit (saldo negativo) com o exterior nas transações correntes (mercadorias, serviços e rendas) que faz explodir a dívida externa e suscitar a incapacidade de fazer face ao serviço dela sem sofrer a intervenção dos bancos estrangeiros e de seus colaboradores, como o FMI e o Banco Mundial.

04. De janeiro a julho de 2013, esse déficit ascendeu a US$ 52,5 bilhões, quantia quase igual à do déficit total de 2012 (US$ 54,2 bilhões). Em 2013, ele já corresponde a 4% do PIB, sendo que no caso do Brasil sequer o PIB é nosso, pois a economia tem sido grandemente desnacionalizada.

05. O déficit cresce demais nos últimos anos. De 2008 a 2012, somou US$ 204,1 bilhões. No atual ritmo, 2013 poderá ultrapassar 50% do total acumulado nesses cinco anos.

06. Os déficits nas transações correntes são causados pela volúpia das empresas transnacionais de transferir lucros às suas matrizes, nas sedes destas e em paraísos fiscais.

07. Os lucros transferidos como lucros, embora imensos, são muito menores que os transferidos disfarçadamente em contas do balanço de serviços e no de mercadorias, através do subfaturamento das exportações e superfaturamento das importações e até mesmo de operações fictícias.

08. A característica do modelo dependente é a progressiva entrega dos patrimônios nacionais às empresas transnacionais. O mercado foi o primeiro desses patrimônios doados, através de incríveis privilégios, ao capital estrangeiro, começando com a liquidação da indústria automobilística nacional e a entrega do mercado às montadoras transnacionais no governo de Juscelino Kubitschek.

09. O senador Vasconcelos Torres (1920/1982) publicou em 1977 o livro “Automóveis de Ouro para um Povo Descalço”. Decerto “ouro” referia-se não à qualidade dos automóveis, mas ao preço deles.

10. A p. 94 relatava o senador:

“a) No exercício de 1962 foi registrado, no balanço consolidado das onze empresas produtoras de veículos automóveis e caminhões, lucro de 65% em relação ao capital socialconstituído por máquinas usadas e, aumentado posteriormente, com incorporações de reservas e reavaliação dos ativos”.

11. De fato, como tenho mencionado, as empresas estrangeiras da indústria automotiva e de outras indústrias – favorecidas por instruções da SUMOC, o banco central à época – puderam, a partir de janeiro de 1955, importar equipamentos usados, de valor real zero, pois estavam há anos amortizados, e registrá-los, como se fossem investimento em moeda, pelo valor que declarassem.

12. Isso significa que o Brasil lhes deu um privilégio incrível, semelhante ao dos bancos, que ganham dinheiro criando dinheiro do nada, com lançamentos contábeis, ao conceder empréstimos. Além disso, beneficiadas pelo custo real zero do capital e da tecnologia, as transnacionais esmagaram a concorrência de empresas locais.

13. Vasconcelos Torres, op. cit. p. 95, apresenta uma tabela referente aos balanços de 1963, comparativa de preços de venda da fábrica à distribuidora com os preços de venda do distribuidor ao público, abrangendo quatro montadoras, entre elas a Volkswagen, já então a maior produtora no Brasil.

14. O preço nas distribuidoras era mais de três vezes o preço na fábrica, valendo notar que os donos desta são os mesmos daquelas ou, no mínimo, têm participação naquelas.

15. Como se fosse pouco o que as transnacionais ganharam no Brasil nos anos 60, no final desse decênio, elas foram agraciadas com novos e colossais subsídios, através de isenções de IPI e ICMS, nas importações de seus bens de capital e insumos, além de créditos fiscais, na proporção das exportações.

16. Até hoje, novos subsídios juntam-se aos antigos e caracterizam o modelo dependente como aquele em que as empresas transnacionais recebem imensos prêmios, doações e dinheiro para explorarem o mercado sem concorrência, com seus carteis e oligopólios.

17. Por enquanto, as reservas no exterior se mantêm em US$ 370 bilhões e acima da posição da dívida externa, de US$ 314 bilhões. Mas isso significa desnacionalização galopante, pois decorre do brutal ingresso líquido de investimentos estrangeiros diretos (US$ 62 bilhões de janeiro a julho) e mais US$ 24 bilhões de investimentos estrangeiros em carteira (participações de capital).

18. Além disso, só é possível o balanço de pagamentos com saldos positivos, em vez de com enormes déficits, devido às aplicações estrangeiras em títulos de renda fixa.

19. Elas totalizaram US$ 20 bilhões de janeiro a maio. Dados os sintomas de crise, o Executivo suprimiu, em 04.06.2013, o imposto sobre operações financeiras (IOF) sobre essas aplicações, além de aumentar a taxa de juros. Com isso elas atingiram US$ 7,1 bilhões em junho, mas voltaram a declinar para US$ 3,9 bilhões em julho. De janeiro a julho: US$ 31 bilhões.

20. Apesar de a maior parte das economias estrangeiras praticarem juros reais baixos e até negativos, no Brasil voltou-se a elevar a taxa básica dos títulos públicos: em julho, ela já foi para 8,5% ao ano, depois de ter baixado em 2012, ficando em 7,25% ao ano, até abril de 2013.

21. Nada pode justificar as elevações verificadas desde então, a não ser o fato de as autoridades monetárias agirem como serviçais dos bancos e dos aplicadores estrangeiros, ou a dependência de ingressos de capital para fechar as contas externas, devido ao déficit nas transações correntes, causado pelo modelo desnacionalizante.

22. Parece claro, sem excluir a primeira hipótese, que a segunda desempenha influência determinante. Tal como ocorre com os viciados em cocaína e outras drogas, o Brasil, submetido ao modelo dependente, agrava cada vez mais a dependência, recorrendo a doses cada vez maiores de drogas (capital estrangeiro). Para isso, oferece a ele cada vez mais benesses para atraí-lo.

23. A usual desculpa da inflação é mais furada que queijos Emmenthaler e Gruyère, pois, além de ela se apresentar em queda antes dos aumentos na taxa de juros, estes não levam à redução da alta dos preços.

24. A maligna dependência não se limita a produzir crises externas, como as que contribuíram para pôr de joelhos os submissos governos brasileiros, como em 1982, culminando com os inqualificáveis Collor e FHC a entregar de graça às transnacionais patrimônios públicos inalienáveis, conforme exigiram os governos imperiais, coadjuvados por Banco Mundial e FMI. A política submissa continua sob os governos petistas.

25. Por que os desastres produzidos pela dependência não se limitam a isso? Porque ela faz crescer exponencialmente a dívida pública interna, o que ocorre não só quando o capital estrangeiro aplica em títulos do Tesouro – e este os emite -, mas também em função das altas taxas de juros, expediente “justificado” pela “necessidade de atrair aquele capital”.

26. Terminou o espaço, e assim não posso aditar ao que tenho escrito sobre a imperiosidade de se anular o último leilão de petróleo e de cancelar o marcado para outubro, na área do pré-sal. Tenho só de conclamar os compatriotas a participar das ações dos que estão lutando nessa direção. Não só as ações judiciais, mas também as que transcendam as atuais regras legais.

27. E ainda não é desta vez que resumirei a fraude em que os governos entreguistas transformaram o setor de energia elétrica, criando um caótico sistema de preços, “de mercado”, com o intuito de favorecer grandes empresas, principalmente estrangeiras, as quais, enquanto sugam o país, extinguem o seu futuro, acabando com sua infraestrutura.


Adriano Benayon é doutor em Economia e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento.
 
do Blog do Fajardo

BLACK BLOCS REALIZAM AUTOCRÍTICA

Manifestantes Black Bloc fazem um exame de consciência e reclamam que sua conduta tem rendido fracassos e isolamento

black blocj rio de janeiro
A autocrítica dos Black Blocs. Manifestantes 
       que já foram vistos com simpatia pela população
      agora precisam lidar com reviravolta na aceitação
        (Foto: Mídia Ninja)



Os manifestantes adeptos da chamada estratégia Black Bloc estão no meio de uma encruzilhada existencial. Nem a direita e nem a esquerda os vêem com simpatia. A origem do movimento é antiglobalização. Apareceram na Alemanha, na década de 80. Tinham um cunho anarquista. Sem liderança específica, se dizem uma organização horizontal.


Nos protestos, eles serviram, de certo modo, como escudo para o Movimento Passe Livre durante os enfrentamentos com a PM. Pouco depois começaram a aparecer os problemas. As pessoas que tinham certa consciência da tática BB (atacar símbolos do capital, como bancos ou filiais do McDonald’s), se viram acompanhadas de jovens apolíticos, violentos e a fim de depredar qualquer coisa, protegidos pelo anonimato da multidão. Como diferenciar uns dos outros?

Recentemente, a filósofa Marilena Chauí declarou que os black blocs tinham inspiração fascista. “Não é anarquismo”, disse ela. “Não usam violência revolucionária”.

Eles também tiveram de lidar com uma virada na opinião pública. No Rio de Janeiro, se eles eram vistos com simpatia no início, agora os moradores dos edifícios lhes atiram garfos e colheres.

A situação chegou a tal ponto que os BB cariocas fizeram um exame de consciência e publicaram uma autocrítica em sua página no Facebook. “A destruição do patrimônio público e privado à “la bangu”, tem sido frenquente e muitas vezes de forma injustificável! Banca de jornal atacada? Por quê? Pra quê?”, diz o texto. “Estamos isolados, ao ponto de tacarem talheres dos prédios”.

Veja a seguir o “comunicado oficial” do Black Bloc RJ:

Nas últimas semanas temos notado um aumento na rejeição da ação Black Bloc por parte da população em geral e até de alguns outros grupos que também possuem reivindicações que nós consideramos sérias. Alguns falarão: “E daí?” “Bando de Coxinhas” e etc… Será? Sabemos que boa parte dessa rejeição é devido à mídia, que é declaradamente contra o movimento, mas também é verdade que pseudo-ativistas que dizem usar a tática Black Bloc tem contribuído MUITO para esta má fama.

 Muitos destes para nós, não se diferenciam dos numerosos coxinhas que encheram a Presidente Vargas no famosos dia 20, pelo simples fato de não saberem o porquê de estarem nas ruas, “Querem se divertir” ou “Querem brigar com a PM” como ouvi outro dia. E desde quando esse foi o objetivo? A rejeição do povo não é boa, porque nós somos o povo e deveríamos representá-los.

A destruição do patrimônio público e privado à “la bangu”, tem sido frenquente e muitas vezes de forma injustificável! Banca de jornal atacada? Por quê? Pra quê? É compreensível quando arrancamos placas de trânsito e queimamos lixeiras para fazer barricadas contra o avanço da polícia porque nós sabemos o que eles fazem, mas o que temos visto é um descontrole, um corre-corre, perdoem-nos o termo, imbecil, que só faz dispersar o grupo tornando a palavra BLOCO, uma piada! 

E muitas vezes desse corre-corre temos como resultado carros danificados, lixo na rua, e patrimônio privado e público destruído sem justificativa alguma. E as pessoas que fazem isso ainda não perceberam que elas só estão facilitando o trabalho da oposição seja ela mídia, governo, polícia, etc… e atrapalhando outras pessoas assim como a gente ou você que está lendo esse texto agora, que trabalha e luta para tentar ser feliz. E os verdadeiros marginais continuam rindo em paz. É impressionante termos que tocar nesse assunto novamente, mesmo depois de produzirmos um vídeo que teve mais de 500 mil acessos só na primeira semana.

A cena dos “meninos” tirando fotos no Largo do Machado após quebrarem vidros de automóveis, derrubar banheiros químicos e destruir placas de rua foi patética. Se alguém conseguir nos apontar algum resultado positivo nisso, damos um prêmio!! E sinceramente, para nós não há a mínima diferença entre eles e os coxinhas que tiraram fotos com a cara pintada para colocar no Facebook no início das manifestações. Sabemos que isso foi tudo, menos uma ação BB, e sabemos que não foi ação de manifestantes que sabem a luta que é manter isso aqui de pé, mas como sempre, caiu na conta do Black Bloc, e mais uma vez, enfraqueceu o movimento, ao ponto de estarmos isolados. Quem está nas ruas e tem o mínimo de bom senso, sabe sobre o que estamos falando.

O ponto precípuo da tática Black Bloc é dar resultados, antes de qualquer filosofada anárquica dos dissidentes de plantão. Se o que tem sido adotado até então não tem rendido mais frutos e sim fracassos, é hora de rever tal conduta, não?

Para que o movimento fique mais forte, pessoas que não concordam com as ações BB, mas que gostariam de protestar, devem ter seu espaço, sim. Os coxinhas devem ter seu espaço! Assim como os demais grupos. Devemos lembrar antes de mais nada, que NÃO SOMOS DONOS DAS MANIFESTAÇÕES ALHEIAS e públicas, portando, não somos nós que devemos conduzi-las, nem devemos ser o motivo para que estas terminem antes que seus objetivos principais sejam concluídos, ainda mais por causa de adolescentes que ainda não conseguem controlar seus hormônios.

Segundo, servimos de proteção aos manifestantes contra a ação repressiva da polícia, mas se o povo não concorda com nossa atuação não temos motivo de agir junto delas, nem razão para estarmos ali e por isso reafirmo que estamos isolados, ao ponto de tacarem talhares dos prédios.

Quando nós fazemos nossas convocações, aí sim, devemos tomar as rédeas. O aumento do diálogo nas convocações é também fundamental. Essa notificação não é uma cartilha de como agir ou uma tentativa de impor coisa alguma. Simplesmente, é a visão de quem está nas ruas sempre dando a cara à tapa e tem visto mais fiascos do que vitórias ultimamente com o crescimento do grupo.

 E acreditem, isso cansa! Por isso ressaltamos, se metade do grupo tiver essa noção, a AUTO GESTÃO coletiva aparecerá espontaneamente e ela tem que aparecer. As ações estranhas à tática devem ser contidas pelo grupo, coloquem isso nas cabeças de vocês, se não o movimento apodrecerá de dentro para fora. E todos os fatores externos que querem nos derrubar sabem disso e estão rindo. A grande maioria cai que nem um patinho nas armadilhas feitas pelos nossos verdadeiros inimigos e simplesmente não conseguem ver isso.

Devemos rever a tática Black Bloc urgentemente e para isso, na próxima convocação, antes de sair de casa, pense nisso tudo que você acabou de ler aqui, para que tenhamos um diálogo produtivo, assim como uma ação produtiva. Pessoas que são contra a mudança das ações atuais, que concordam com as atitudes imaturas dos últimos protestos, favor não comparecer. Daqui em diante, só iremos comparecer nas nossas próprias convocações e quando formos convidados e/ou apoiados pelo grupo organizador. Portanto, coxinhas sintam-se à vontade para marcar o protesto que quiserem. Estamos mudando para tornar o Black Bloc RJ maior e mais forte, além de fugir desse caminho que temos seguido, o de um grupo de maratonistas sem ideal e sem união!

Para finalizar, ressaltamos a importância do diálogo para que haja organização e união entre os Black Bloc, portanto, dialoguem, dêem sugestão, critiquem o que houver de errado, porque acreditamos em uma horizontalidade – mesmo que teoricamente não sejamos um grupo – e que todos têm o direito – principalmente como cidadãos – de se expressarem e por fim e de tamanha importância, acreditamos piamente em uma grande melhora/evolução proveniente da consciência de cada um. Reflitam!

Kiko Nogueira, Diário do Centro do Mundo

MÉDICO BRASILEIRO PEGO NA MENTIRA PERDE CHANCE DE FICAR CALADO

Desmontando uma farsa apelativa de jaleco. Médico brasileiro que espalhou nas redes sociais ter sido demitido “para dar lugar a um médico cubano” é desmascarado

Farsa de jaleco. (Reprodução / Facebook)

Está rodando na internet uma farsa apelativa.
O Dr. Rogério Augusto Perillo postou uma foto segurando um cartaz dizendo que “não faltam médicos” e denunciando ter sido demitido pelo prefeito da cidade de Trindade, próxima a Goiânia, “para dar lugar a um médico cubano”.

Com a repercussão nas redes, o prefeito teria “reconsiderado” a decisão e mandado readmitir Rogério.
Conversa.

Rogério é amigo e correligionário do prefeito da cidade, Jânio Darrot, do PSDB, com quem aparece sorridente na foto (abaixo) postada há 15 dias.

 
(Reprodução / Facebook)

E, pelo sobrenome Perillo, você deve imaginar de quem ele é parente.
Claro, do governador Marconi Perillo, também do PSDB, aquele que escapou, sabe-se lá como, dos escândalo Demóstenes-Cachoeira.

A página de Rogério Perillo no Facebook é um misto de carolice, anticomunismo e baixarias que me poupo de reproduzir.


Reprodução / Facebook)
Ele, aliás, tentou fazer uma inscrição no “Mais Médicos” para ajudar a “melar” o programa, dizendo que o sistema não aceitava o CPF.

Ele tem o direito de ser um idiota, ninguém lhe negará.

Como tem o direito de ser integrante do PSDB e apoiador da candidatura Aécio Neves. 

Tem também o direito de ser um mau caráter.

Mas ele não tem o direito de construir uma mentira na rede, para ser reproduzida por incautos, de boa fé, ou mesmo imbecis, de má-fé.

Não tem o direito de manipular para combater o direito de outros brasileiros, não tão “bem-nascidos” quanto ele.

Infeliz do povo que vai ser tratado com critérios éticos como o do Dr. Rogério.
Se Goiás é o curral dos Perillo, não é difícil saber como tratam o seu povo.

Fernando Brito, Tijolaço

FACEBOOK DESMASCARA DENÚNCIA DA FOLHA SOBRE MÉDICOS

Redes sociais desmontam denúncia da Folha sobre o Mais Médicos. Jornal estampou que a médica Junice estaria sendo demitida para dar lugar a “um cubano” mas não mencionou que ela acumula três empregos que totalizam 128 horas semanais de serviço

A análise dos jornais diários é sempre uma caixinha de surpresas quando se tem tanta informação rolando nas redes sociais. A Folha de hoje estampa denúncia de que os prefeitos de 11 cidades demitirão médicos locais para que cheguem os profissionais do Programa Mais Médicos. A denúncia é grave.

Uma leitura apurada da matéria leva por entendimentos diversos. Título de capa aponta para a certeza de que haverá demissões “de médicos locais para receber os de Dilma”, o subtítulo coloca que 11 cidades “decidem trocar profissionais para ficar com os do programa Mais Médicos, pagos pela União”. Pois bem. A denúncia chama a atenção. O texto da chamada afirma que prefeituras do Norte e Nordeste começaram a trocar médicos contratados pelo Mais Médicos. Ponto. E que prefeitos e secretários de saúde “dizem que a mudança é vantajosa”, pois os profissionais são custeados pelo governo federal enquanto os médicos locais são pagos pelas prefeituras, com salários que chegam a R$ 35 mil. Outro atrativo é a certeza de que o novo profissional irá trabalhar por três anos, pelo menos.

A personagem que dá corpo à denúncia, a médica Junice Moreira, diz que foi comunicada da demissão, afirmando que “disseram que eu tinha que dar lugar a um cubano”. O prefeito em questão, da cidade de Sapeaçu (BA), Jonival Lucas (PTB), afirmou que ela está saindo por não cumprir a carga horária e não por conta da adesão ao programa.

Na reportagem que abre o caderno Cotidiano, a Folha afirma que identificou 11 cidades de quatro estados diferentes que pretendem fazer demissões para receber os profissionais do Mais Médicos. Prefeitos reclamam da alta rotatividade e de altos salários que precisam pagar para conseguir segurar profissionais. Além disso, aponta para a falta de infraestrutura como um fator que desanima os médicos locais. O impacto dos salários em pequenas prefeituras fica evidenciado na matéria.

Na segunda página do mesmo caderno, vem a reportagem-denúncia de que a médica Junice estaria sendo demitida para dar lugar a “um cubano”. Essa é a manchete da página, e o subtítulo reafirma o título. Começa com a triste notícia de que hoje, em Murici, povoado de Sapeaçu, será o último dia de trabalho da médica mineira, e sua demissão teria sido anunciada pela Coofsaúde, cooperativa que faz o pagamento dos médicos que ali trabalham por meio de contrato com a prefeitura. A cooperativa confirmou a saída da médica e que, em seu lugar, entrará um médico do programa. A brasileira se disse surpreendida pela notícia “pois não tinha feito nada errado”. E vai discorrendo sobre o caso, dizendo que é “adorada” pela população local.

Ouvido, o prefeito afirmou que a demissão não tem nada a ver com o programa, que já estavam procurando outro profissional para colocar no lugar da doutora Junice e o problema alegado para que a troca ocorresse era de que ela não estaria cumprindo a carga horário estabelecida, sendo que o substituto será um profissional brasileiro que já atuou naquela região. E sim, ele afirma que o programa traz benefícios aos municípios, pois desonera a folha de pagamento.

Em texto com uma coluna, a Folha fala dos outros municípios que irão trocar médicos locais por estrangeiros. Fala de Barbalha, no Ceará, que substituirá dois contratados por outros do Mais Médicos. De Camaragibe (CE), a informação de que o município tem direito a quatro médicos pelo programa, então demitirá dois para receber outros profissionais, e os dois restantes deixarão de receber pelo município para receber pelo governo federal. Não deixa claro se esses médicos locais, que receberão pelo governo, terão salário rebaixado. Isso é uma imposição? O jornal não explica esse ponto, e fica uma denúncia comprometida, já que o Programa Mais Médicos tem profissionais inscritos, por interesse próprio, e somente os que passaram pelo crivo da inscrição poderão ser indicados aos municípios. Assim fica a pergunta: como os médicos receberão do governo ,sem participação no programa via inscrição e escolha de município?

E mais, neste pequeno texto, outra informação importante: a de que, além da economia, aponta-se a obrigação de cumprir horários como outro benefício, já que os médicos serão acompanhados pelo governo federal.

E o outro lado, com Padilha afirmando que os quadros das prefeituras são monitorados para evitar que esse tipo de problema, apontado na matéria, ocorra. “Esse programa é Mais Médicos, não troca de médicos”, afirmou o ministro em audiência no dia 14, na Câmara.

Um infográfico, em todo o centro da página, cujo título é “Substituição de Mão de Obra”, coloca os 11 municípios no mapa. Mas também traz outras informações: nos quatro estados o número total de médicos, o número de médicos por mil habitantes e os médicos previstos na primeira etapa do programa. E mais: traz uma relação médico/mil habitantes em outros países, o que acaba por endossar a necessidade do programa para essas regiões.

E as redes sociais com isso?

Nem bem a Folha trazia sua manchete com a denúncia, começou a circular no Facebook a denúncia de que a denúncia do jornal seria vazia. Segundo Vania Grossi, usuária da rede social, a Dra Junice teria três empregos, o que daria uma jornada semanal de 128 horas. A usuária afirma, também, que esse tipo de problema, de médico burlar o atendimento com vários empregos concomitantes, está acontecendo em sua cidade, e que eles estão sendo acionados para devolver o dinheiro recebido ao município.

As redes sociais dirão se a Folha tem ou não razão. Basta dar um tempinho para que as denúncias sobre essa denúncia sejam confirmadas ou refutadas. Em tempos de facilidade de informação, a Folha deveria ter se escudado com o contracheque da denunciante, para não dar espaço ao clamor das redes sociais.
Acompanhemos, pois!

Veja a denúncia da usuária do Facebook abaixo.

(Imagem – CNESNet – Ministério da Saúde)


(Imagem – CNESNet – Ministério da Saúde. Com imagem de arquivo pessoal da Dra. Junice – Reprodução/Facebook)

TRIO É PRESO COM COCAÍNA, CRACK E MACONHA NO SANTA CÂNDIDA

Trio foi pego com 1,8 quilo de maconha, meio quilo de crack e 158 buchas de cocaína
Policias civis da Divisão Estadual de Narcóticos (Denarc), comanda pelo delegado Alan Flores, prenderam, na tarde da última quinta-feira (29), Juliano de Souza Fernandes de Medeiros, 19 anos, o “Flex”, Fabrício Alves de Avelar Maciel, 27 anos, e Geovan Cordeiro Santos, 19 anos, e apreenderam um adolescente, de 17 anos, com 1,8 quilo de maconha, meio quilo de crack, parte já separada em 520 buchas prontas para comercialização, 158 buchas de cocaína, uma balança de precisão e R$ 210 em dinheiro, no Santa Cândida, em Curitiba.

As investigações tiveram início a partir de informações de que Medeiros e o adolescente receberiam uma certa quantidade de drogas, na tarde de quinta, para iniciarem o abastecimento aos usuários da região do Santa Cândida.


“Os policias iniciaram campanas nas proximidades do local e perceberam o momento em que o adolescente e Medeiros chegaram na residência portando uma sacola. Passados alguns segundos, os policias se aproximaram da residência, que estava com a porta dos fundos entreaberta e visualizaram Medeiros, Santos, o adolescente e Maciel na sala da casa, picando e separando crack e cocaína, pesando as drogas e embalando-as em pequenas buchas para a venda. Neste momento ocorreu a abordagem”, contou a delegada adjunta da Denarc, Camila Cecconello. 

Procedendo as buscas no local, os policias ainda localizaram 1,8 quilo de maconha no interior de uma lata de tinta, enterrado na área externa da residência.

Maciel era evadido da Colônia Penal Agrícola (CPA) pelos crimes de tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo. Santos era evadido da Delegacia de Bocaiúva do Sul pelo crime de homicídio, além de possuir antecedente pelo crime de roubo. Medeiros possui antecedente criminal por tráfico de drogas. “O adolescente já possui três passagens anteriores também por tráfico de drogas”, lembrou a delegada.
O trio foi autuado em flagrante pelo crime de tráfico de drogas e associação ao tráfico e se encontra recolhido na carceragem da Denarc.

BEM PARANA

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

'' VAMOS SURPREENDER O MUNDO'', DIZ SÍRIA SOBRE AMEAÇAS DE INVASÃO

Síria responde ameaças de invasão: “vamos nos defender e surpreender o mundo”. Ministro das Relações Exteriores afirma que intervenção ocidental apenas “serviria aos interesses de Israel e Al Qaeda”
EUA já movimenta arsenal militar próximo à Síria

As grandes potências voltaram suas atenções para a Síria. EUA e Reino Unido já admitem uma intervenção militar no país após denúncias de uso de armas químicas em Damasco. A resposta do governo sírio, no entanto, veio de forma contundente nesta terça-feira (27/08). “Temos duas opções: ou nos rendemos ou nos defendemos com os meios que temos à disposição. A segunda alternativa é a melhor”, afirmou em nota oficial o Ministério das Relações Exteriores.

O chanceler sírio, Walid Muallem, confirmou à mídia local que vai defender a todo custo o país de uma intervenção ocidental. “Atacar a Síria não é uma tarefa menos difícil. Temos defesas que vão surpreender o mundo”, disse.

O governo da Síria nega a utilização de armas químicas e desafia a comunidade internacional a apresentar “qualquer prova” que comprove o uso de gás sarin por parte do Exército. Uma ação militar internacional no país, dizem autoridades locais, “apenas serviria aos interesses de Israel e da Al Qaeda”.

“O pretexto das armas químicas é falso e infundado. Desafio a que apresentem qualquer prova”, afirmou Walid al Muallem em entrevista coletiva. Além disso, o chanceler informou que a equipe de inspetores da ONU enviado à Síria adiou para esta quarta-feira (28) sua nova visita à zona do suposto ataque químico na periferia de Damasco em função de desavenças entre os grupos opositores, acusados de explodir bombas e atirar contra um grupo de inspetores.

Segundo informações da Agência Efe, as Forças Armadas do Reino Unido preparam um “plano de contingência” para uma hipotética ação militar na Síria. Um porta-voz do governo britânico afirmou que o país pode adotar uma decisão sobre o conflito antes dos resultados da missão da ONU serem divulgados.

Já os EUA disseram que exigirá que o regime sírio preste contas pelo que classificou de “inegável” uso de armas químicas contra a população civil. Washington, no entanto, não confirma se já decidiu por uma intervenção militar.

Opera Mundi


PARANÁ AMPLIA PARTICIPAÇÃO NA SANEPAR, DIZ BETO RICHA

Em entrevista à imprensa em Salgado Filho, o governador Beto Richa disse que o novo acordo entre os acionistas da Sanepar traz equilíbrio, segurança financeira e jurídica na estatal paranaense. "Ampliamos a participação acionária do governo em relação aos sócios privados. As decisões, cada vez mais, são do governo. Decisões que são tomadas pelo conselho de administração, no qual o governo tem maioria absoluta. É bom lembrar que entre os sócios privados a Copel tem participação de 45%", disse Richa.

O governador adiantou que o Estado tem mais de R$ 1 bilhão de reais a receber e que a iniciativa privada vai fazer esse aporte. O governo vai receber os recursos e ampliar a participação acionária na companhia. "Não há prejuízo nem para a Sanepar, nem para o Governo do Estado. Estamos simplesmente regularizando uma situação que estava incorreta em relação a segurança financeira e jurídica", disse.

Richa adiantou que o novo acordo não trará qualquer impacto na tarifa da água. "Não tem o menor risco para isso. A Sanepar é reconhecida como uma das empresas de maior qualidade do Brasil e faz o maior investimento de sua historia: R$ 2 bilhões em obras de saneamento para garantir mais qualidade de vida para a população", completou.

PAI REGISTRA NASCIMENTO DE SEUS 4 FILHOS NO MAR

Em lugares diferentes, porém com o oceano sendo o cenário principal, pai registra fotos emocionantes do nascimento de seus 4 filhos

O russo Vladimir Bagrianski registrou o nascimento dos seus quatros filhos no mar. “Nascer no mar” traz as imagens de sua esposa durante os partos, que aconteceram entre 1986 e 1992.

Em diferentes locais, o cenário principal era sempre o mesmo: o oceano.

A família é adepta dos ensinamentos do obstetra e psicoterapeuta russo Igor Tcharkowsky, pioneiro no método de parto e criação na água, em 1963. O russo defendia a importância de estabelecer vínculos com o bebê com conversas, demonstrações de afeto e com uma estreita relação com o mar.




 


RATINHO JR ACERTA QUATRO BRTS AO PARANÁ

Ratinho Jr (Desenvolvimento Urbano) acertou com Aguinaldo Ribeiro (Cidades), ontem em Brasília, a implantação de quatro corredores BRTs (transporte rápido por ônibus), no valor de R$ 550 milhões, em Curitiba e região metropolitana. "Os BRTs fazem parte dos cinco projetos de mobilidade urbana apresentados pelo Paraná ao Ministério das Cidades. O ministro decidiu priorizar a implantação de quatro corredores", disse Ratinho.

O ministro disse ainda que o governo federal vai deixar para mais tarde o corredor metropolitano que ligará sete cidades da grande Curitiba, ao custo de R$ 707 milhões. Ainda há uma dúvida: se a obra será realizada sob financiamento ou a fundo perdido.

Ratinho Jr adianta que os BRTs aprovados vão ligar a Linha Verde Norte ao Terminal do Alto Maracanã, em Colombo (R$ 175 milhões), a Linha Verde Sul à Fazenda Rio Grande (R$ 175 milhões), a ligação do Aeroporto Afonso Pena ao Boqueirão, passando pelo Centro de São José dos Pinhais (R$ 100 milhões) e mais a ligação do Terminal do Capão da Imbuia até Pinhais (R$ 100 milhões).

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

QUEM DEVERIA SENTAR NO BANCO DOS RÉUS, POR RICARDO NOBLAT

Finalmente apareceu alguém sem medo de confrontar a presidente da República - o diplomata Eduardo Saboia, cérebro da operação que resultou na retirada da Bolívia do senador Roger Pinto Molina, refugiado em nossa embaixada de La Paz há mais de 450 dias.
 
O Brasil acatara o pedido de asilo político dele, que denunciara autoridades do seu país por envolvimento com narcotráfico. A Bolívia negara o salvo-conduto para que Roger deixasse o país em segurança sob a acusação de que é corrupto.

Saboia disse que Roger não podia receber visitas. Nem circular dentro do prédio da embaixada. Nem se comunicar com a família. Nem tomar banho de sol. Uma autoridade do governo boliviano comentou certa vez que ele ficaria ali até morrer.

- Você imagina ir todo dia para o seu trabalho e ter uma pessoa trancada num quartinho do lado, que não sai? Aí vem o advogado e diz que você será responsável se ele se matar. Eu me sentia como se fosse o carcereiro dele, como se eu estivesse no DOI-Codi.

Presidente da República não bate-boca com funcionário de escalão inferior. Dilma bateu ao dizer ter provado da desumanidade dos DOI-CODIs. E que a distância que os separava das condições de vida na embaixada de La Paz equivalia à distância entre céu e inferno.

O dia sequer terminara e Saboia já replicava Dilma. "Eu que estava lá, eu que posso dizer. O carcereiro era eu. Ninguém mais viu aquela situação", respondeu. Desautorizou a presidente, portanto. E sugeriu que ela nada poderia falar a respeito porque simplesmente não estava lá.

Nenhum ministro, senador, deputado ou presidente de um dos poderes da República foi tão longe em relação a Dilma quanto Saboia, um mero encarregado de negócios que respondia por uma embaixada de segunda classe na ausência do embaixador.

Mas, de duas, uma. Dilma e o bando de assessores que a cercam não prestaram atenção no que afirmou Saboia. Ou prestaram, mas a presidente quis bancar a esperta e mudar o foco da discussão sobre o traslado do senador. Até este momento, a discussão é favorável a Saboia.

Recapitulemos. Disse Saboia: “Eu me sentia como se fosse o carcereiro dele, como se eu estivesse no DOI-Codi”. Era Saboia, bancando o carcereiro, quem se sentia como se estivesse no DOI-CODI. Não disse que o senador enfrentava condições semelhantes às dos DOI-CODIs.

As palavras ditas por Dilma: “Eu estive no DOI-Codi, eu sei o que é o DOI-Codi. E asseguro a vocês que é tão distante o DOI-Codi da embaixada brasileira lá em La Paz (Bolívia) como é distante o céu do inferno”.

Em resumo: Saboia disse uma coisa. Dilma, outra.

No último sábado, ao ficar sabendo que Roger chegara a Corumbá depois de rodar mais de mil e quinhentos quilômetros dentro de um carro da embaixada acompanhado por Saboia e dois fuzileiros navais, Dilma só faltou escalar as paredes do Palácio da Alvorada.

Cobrou a demissão imediata de Saboia ao ministro Antonio Patriota, das Relações Exteriores. Patriota estava em São Paulo pronto para viajar à Finlândia. Dilma foi grosseira com ele, como de hábito. Mandou que retornasse a Brasília. E o demitiu em seguida.

A indignação de Dilma tem a ver com duas coisas. A primeira: ela ficou mal diante do presidente Evo Morales. Que acusou o Brasil de desrespeitar tratados internacionais ao providenciar a fuga de Roger sem que ele tivesse obtido antes um salvo-conduto.

A segunda coisa: Dilma tem medo de que reste provada a negligência do governo brasileiro no caso do senador boliviano. Saboia tem como provar a negligência. E para evitar que o governo tente por um fim em sua carreira diplomática de mais de 20 anos, está disposto a provar.

- Eu perguntava da comissão bilateral para resolver a questão do senador, e as pessoas me diziam: "Olha, aqui [no Brasil] é empurrar com a barriga.". Tenho e-mails dizendo: "A gente sabe que é um faz de conta, eles fingem que estão negociando e a gente finge que acredita".

Tem um filme na praça chamado “Hannah Arendt”. Conta a história do julgamento em Jerusalém do carrasco nazista Adolf Eichmann. E da cobertura do julgamento feita para a revista americana The New Yorker pela filósofa judia de origem alemã Hannah Arendt.

A teoria da “banalidade do mal” começou a nascer ali quando Hannah se convenceu de que Eichmann, de fato, não se sentia responsável pela morte de milhões de judeus. Ele não se cansou de repetir em sua defesa: apenas cumprira ordens.

Ninguém ordenou que Saboia tentasse salvar a vida do senador boliviano que ameaçava se matar, segundo atestados médicos. Mas sentindo-se responsável por ele, Saboia decidiu em certo momento obedecer ao que mandava a sua própria consciência.

Alguns dias antes de fazê-lo, despachou para o Itamaraty uma mensagem antecipando o que iria se passar. A resposta foi o silêncio. Quem por aqui se lixava para a sorte do senador boliviano? Quem em La Paz se lixava?

Por negligência, omissão e desumanidade, Saboia não poderá ser punido. Não deverá ser punido. Não merece ser punido. Por tais crimes são outros que deveriam sentar no banco dos réus.