'De bêbado tem dono, sim', diz monografia sobre estupro de mulheres embriagadas. Título do trabalho de aluna de Direito causa susto, mas é bem recebido em universidade
De bêbado tem dono, sim’, diz monografia sobre estupro (Arquivo Pessoal) |
A universitária Thays Gonçalves, de 19 anos, apresentou uma
monografia no IV Congresso Jurídico-Científico da Faculdade de Direito
de São Bernardo do Campo, em São Paulo, com um título um tanto quanto
inusitado:
“Cu de bêbado tem dono sim”. A intenção era causar um choque
inicial para chamar atenção sobre o tema, descrito no subtítulo “estupro
de vulnerável em caso de embriaguez feminina”.
Aluna do 6º período, Thays alcançou seu objetivo ao apresentar o
trabalho na última semana durante a XIII Semana Jurídica da instituição.
Aluna do 6º período, Thays alcançou seu objetivo ao apresentar o
trabalho na última semana durante a XIII Semana Jurídica da instituição.
- A primeira reação foi de susto, mas depois, quando falei do tema e
do crime, as pessoas entenderam por quê. A apresentação foi bem
tranquila, fui muito bem recebida pela sala. O título fez exatamente o
que eu queria: chamar atenção para o tema. No final, todos aplaudiram e
vieram me parabenizar pessoalmente – comemora Thays.
No trabalho, a universitária se baseou no artigo 217-A do Código
Penal: ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor
de 14 (catorze) anos. O parágrafo primeiro descreve que incorre na mesma
pena quem pratica as ações descritas no caput com alguém que, por
enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento
para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode
oferecer resistência. Para ilustrar o tema, Thays se baseou em estudos
de casos:
- Teve um caso de Pinheiro Preto (SC), em que uma moça foi chamada
por conhecidos para beber e fumar num ginásio esportivo. Após se recusar
a beijar um dos caras, a menina continuou bebendo, até ficar
embriagada. Ela foi estuprada pelo rapaz, se lembra de tudo, mas não
conseguia se mexer ou pedir para parar. É agonizante. Pretendo prolongar
o tema para minha monografia do final do curso, na qual quero
entrevistar moças que sofreram esse tipo de estupro e se procuraram
ajuda ou não. Muitas mulheres sentem vergonha de pedir auxílio quando
sofrem.
A estudante conta que não sofreu resistência dos professores quanto
ao polêmico título para um trabalho acadêmico, apesar de reconhecer que
no curso de Direito são poucos os que entendem a necessidade de
desmitificar do juridiquês e deixar mais acessível a linguagem. Ainda
assim, ela diz que sua orientadora de iniciação científica, Gisele
Salgado, e o professor de Direito Penal, disciplina na qual apresentou o
trabalho, aprovaram o tema e o título.
- A Gisele amou o título! Até quer uma camiseta com ele – conta Thays.
O Globo
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