Programação cultural
Paisagens Paranaenses, por Shigueo Murakami
A
poética de Shigueo Murakami começa pela textura dos grãos de prata do
negativo queimados pela luz. Dos brancos puros aos pretos intensos, uma
infinita gama de tons de cinza aveludados e esfumados, entre si, pela
complexa e irregular distribuição da prata no filme.
O efeito aveludado
da imagem aleatoriamente granulada é tão forte que quase nos convida a
tocar a obra. Sua precisão técnica, além de obter pretos profundos, cria
uma ilusão óptica de relevo nas áreas de branco intenso, como nas
grandes massas de nuvens brancas, onde temos a impressão de ver um
relevo pictórico, como uma massa encorpada de tinta branca que salta do
plano da fotografia.
Depois a poética das composições, sempre equilibradas, enquadramentos
significativos em relação ao tema abordado, algumas vezes
cinematográficas, e que nos remete constantemente a sensação de um tempo
dilacerado, um estranhamento metafísico diante de uma descrição
absolutamente precisa da ‘beleza’ do mundo natural.
Em relação aos temas, pertinentes ao nosso momento histórico, uma
obra surpreendente por nos apresentar o mundo em que vivemos com uma
poética despojada e eficiente, compreensível universalmente. Onde cada
instante conta, porque nunca se repetirá, infinito enquanto acontece: o
desenho das nuvens no céu, o peso e a dureza das pedras, a maciez da
madeira, as texturas semelhantes de materiais diferentes, manifestações
visíveis de um universo sempre em movimento. Implacável em criar e
destruir. Então, cada negativo conta e o artista tem essa consciência.
Por sua simplicidade, eficiência e densidade, uma obra clássica, por
sua forma e sua mensagem, Shigueo apresenta a vida sem maneirismos, pura
poesia: a ‘simples’ manifestação da vida em sua plenitude.
Christophe Quirino Spoto
Divisão de Educação e Cultura/ Gerência de Cultura
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