quinta-feira, 12 de setembro de 2013

MUJICA SOBRE SÍRIA: '' ÚNICO BOMBARDEIO ADMISSÍVEL SERIA DE LEITE E BISCOITO "

José Mujica sobre Síria: “Único bombardeio admissível seria de leite em pó e biscoitos” (AFP)

É impossível cessar uma guerra com mais guerra, disse José Pepe Mujica sobre a possibilidade de intervenção militar na Síria

Em meio ao clima de tensão no Oriente Médio com a possibilidade de intervenção militar na Síria, José Mujica ironiza: “O único bombardeio admissível seria de leite em pó, biscoitos e comida”,disse.O presidente uruguaio defende que uma ação militar não é o melhor caminho para solucionar o conflito civil no país. “Isso seria tentar apagar uma fogueira colocando mais combustível”, argumenta em referência ao plano norte-americano de intervenção.

 “A guerra não se resolve introduzindo mais guerra. Isso leva a situação para um caminho de conflitos intermináveis que promove um profundo ressentimento que vai transformar em luta e resistência “aqui e ali”, reitera em entrevista a uma emissora local do Uruguai.

Na contramão de Mujica, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu aos membros do Congresso que não fechem os olhos ao uso de armas químicas na Síria. “Nós somos os Estados Unidos. Não podemos ficar cegos diante das imagens da Síria. É por isso que peço aos membros do Congresso, dos dois partidos, que se unam e ajam para promover o mundo onde nós queremos viver, o mundo que queremos deixar aos nossos filhos e às futuras gerações”, disse Obama, que procura o apoio do Congresso para ataques militares à Síria.

 O presidente falou à população em um programa semanal de rádio.
                                                         
O Congresso norte-americano deve começar, na segunda-feira (9), a debater os ataques defendidos por Barack Obama como reação ao uso de armas químicas no dia 21 de agosto, nos arredores de Damasco, capital síria, pelo qual responsabiliza o regime do presidente Bashar Al Assad.

Opera Mundi

EIKE BATISTA DÁ COLOTE NA PRÓPRIA EMPRESA

Eike, que havia prometido injetar US$ 1 bilhão na OGX, divulga fato relevante em que foge da raia; "ressalvo meus direitos", diz ele; promessa foi feita aos investidores quando ele tinha como conselheiros Pedro Malan e Ellen Gracie; próximo passo será calote aos credores
Fim da linha: Eike Batista dá calote na própria empresa (Divulgação)

O empresário Eike Batista questionou a validade do exercício da opção concedida por ele à petroleira OGX e que o obriga a injetar 1 bilhão de dólares na empresa, segundo comunicado divulgado nesta segunda-feira pela companhia.

De acordo com fato relevante divulgado pela OGX que traz correspondência de Eike à companhia, o empresário afirma que “ressalvo meus direitos (…) no sentido de questionar as circunstâncias, a forma, o conteúdo a validade e os demais aspectos legais do pretendido exercício da opção”.

A OGX anunciou na sexta-feira que seu conselho de administração aprovou o exercício da opção, chamada de “put”, em meio à situação de dificuldades de caixa da companhia.

A opção foi acertada em outubro de 2012 e pela qual o empresário deverá subscrever novas ações de emissão da OGX ao preço de 6,30 reais por papel, mais de 11 vezes o valor do ativo na bolsa.

No documento divulgado nesta segunda-feira, o empresário afirma que pretende abrir procedimento na Câmara de Arbitragem do Mercado se a disputa sobre o exercício da opção não for resolvida em 60 dias.
Analistas desconfiam da capacidade de Eike de honrar com o aporte total de 1 bilhão de dólares na OGX. Na semana passada, a revista Forbes calculou que o empresário deixou de ser bilionário, com fortuna estimada agora em 900 milhões de dólares.

No anúncio da decisão sobre o exercício da opção, a OGX informou que 100 milhões de dólares devem ser recebidos imediatamente, ficando o saldo a ser desembolsado por Eike à medida que a empresa precisar de caixa adicional.

A derrocada da OGX, que já foi considerada o ativo mais precioso do grupo de empresas de Eike, ganhou força após sucessivas frustrações com o nível de produção da petroleira. No início de julho, a companhia decidiu não seguir adiante com o desenvolvimento de algumas áreas na bacia de Campos antes consideradas promissoras.

Com situação crítica de caixa e fracasso em sua campanha exploratória até o momento, em agosto a OGX desistiu de adquirir nove dos 13 blocos que arrematou na última licitação de áreas de petróleo, evitando o pagamento de 280 milhões de reais ao governo por direitos exploratórios.

Gustavo Bonato, Reuters

BERNARDO ENTRENTA MAIS UMA GREVE DOS CORREIOS

Que fase! Paulo Bernardo (Comunicações) enfrenta mais uma greve dos Correios. Desde a noite de ontem funcionários dos Correios do RJ, SP, RS, TO, RN, RO e PE cruzaram os braços. Uma assembleia, ainda na próxima semana, será feita pelos carteiros no Paraná para definir se aderem ao movimento.

A categoria pede reajuste do piso salarial de 10%, reposição da inflação, aumento real de 6%, além do aumento do vale alimentação de R$ 35, entre outras medidas. A empresa ofereceu 5,27% de reajuste sobre salários e benefícios.

124 MAIS RICOS DO BRASIL ACUMULAM 12% DO PIB

Forbes divulgou lista das 124 pessoas mais ricas do Brasil, que acumulam um patrimônio que ajuda a entender porque o País é considerado um dos mais desiguais do mundo

      Entre os 124 multimilionários brasileiros 
       apenas o cofundador de Facebook, 
     Eduardo Saverin, constituiu seu patrimônio
            por meio da internet (Forbes)

Estas 124 pessoas integram a última lista de multimilionários divulgada nesta segunda-feira pela revista ‘Forbes’, que inclui todos os brasileiros cuja fortuna supera R$ 1 bilhão.


O investidor chefe do fundo 3G Capital, Jorge Paulo Lemann, que acaba de adquirir a fabricante de ketchup Heinz e é um grande acionista da cervejaria AB InBev e do Burger King, ficou com o primeiro lugar.
A fortuna de Lemann, de 74 anos, chega a R$ 38,24 bilhões, enquanto o segundo da lista, Joseph Safra, empresário de origem libanesa e dono do banco Safra, tem ativos de R$ 33,9 bilhões.
A maioria das fortunas corresponde a membros de famílias que dominam as grandes empresas de setores como mídia, bancos, construção e alimentação.
Entre os 124 multimilionários brasileiros apenas o cofundador de Facebook, Eduardo Saverin, constituiu seu patrimônio por meio da internet.
O empresário Eike Batista, que chegou a ser o sétimo homem mais rico do mundo e perdeu parte de sua fortuna pela vertiginosa queda do valor das ações de sua companhia petrolífera OGX e do resto das empresas de seu conglomerado EBX, ficou em 52º lugar na lista.
A grande fortuna concentrada por estes milionários comprova a veracidade dos indicadores oficiais que classificam o Brasil como um dos países com maiores disparidades entre ricos e pobres.
O índice de Gini do país foi de 0,501 pontos em 2011, em uma escala de zero a um, na qual os valores mais altos mostram uma disparidade mais profunda entre ricos e pobres.
Cerca de 41,5% das rendas trabalhistas se concentram nas mãos de 10% dos mais ricos, segundo dados do censo de 2010, enquanto metade da população vivia, nesse ano, com uma renda per capita mensal de menos de R$ 375.
Revista Exame

CNJ LIBERA R$ 500 MILHÕES AO PARANÁ

O Conselho Nacional de Justiça acatou pedido do Governo do Paraná para ter acesso a 70% dos depósitos judiciais de natureza tributária, estimados em R$ 500 milhões. “O CNJ definiu que o Paraná tem sim direito aos depósitos tributários, basta comprovar que cumpre a lei federal. Como nós cumprimos, o pedido será deferido com certeza pelo TJ”, disse Jozélia ao repórter André Gonçalves.


“É o Poder Judiciário quem tem o controle deste numerário. Estimamos em R$ 500 milhões no total, mas nós não sabemos se esse valor é real”, completou. Jozélia sinalizou que o recurso será utilizado para pagar precatório. “Vai beneficiar as pessoas que são credoras do estado”, afirmou. Enquanto isso, os recursos que estavam programados para essas despesas serão destinados para outras áreas. “O povo vai sentir isso na saúde e na educação.”


Além do esforço para liberar o uso dos depósitos judiciais tributários, o governo ainda tenta no CNJ conseguir acesso a 30% dos depósitos de origem não tributária – aqueles que não envolvem disputas jurídicas relacionadas a causas tributárias e que muitas vezes não envolvem nem sequer o Estado

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

ESTÃO ABERTAS AS INSCRIÇÕES PARA OS CURSOS DE MÚSICA E BISCUIT DO CRAS SEDE

Centro de Referência da Assistência Social oferece gratuitamente cursos profissionalizantes e ocupacionais

Vagas para aulas de música ainda estão disponíveis

Promover a capacitação profissional e atividades ocupacionais para adolescentes, jovens e adultos de forma gratuita é uma das principais propostas do Centro de Referência da Assistência Social, unidade SEDE, que através da Secretaria Municipal de Ação Social e Trabalho e do Programa de Qualificação Profissional – Estação do Ofício, oferece cursos variados para os moradores de Colombo.

Para este ano, ainda estão disponíveis vagas para os cursos de biscuit e música: violão e teclado. São ao todo, 45 vagas, sendo distribuídas em três turmas: 15 vagas para o curso de biscuit (quinta-feira 8h ao 12h) e 15 vagas para o curso de música, no turno da manhã (sexta-feira 9h às 11h) e 15 vagas para o curso de música, no turno da tarde (sexta-feira 13h30 às 15h30).

De acordo com o coordenador do Centro de Referência de Assistência Social SEDE, Aldair José Gonçalves da Cunha, o principal objetivo da oferta destes cursos além da capacitação profissional é incluir socialmente os moradores da cidade. “Com estes cursos é possibilitado a ampliação da renda familiar e a inclusão social, fortalecendo os vínculos familiares e potencializando os indivíduos para conquistar seu espaço profissional e social”, defende.
Moradores de Colombo podem se inscrever no

Além destes cursos de música e biscuit, já estão em andamento os de: manicure e pedicure, cabeleireiro, corte e costura, pintura em tecido, decoupage em madeira, EVA, informática básica e excel, mas, estes só terão vagas disponíveis a partir de fevereiro de 2014, sendo disponibilizada uma lista de espera para os interessados no CRAS SEDE.

Todos os moradores podem se inscrever nos cursos ofertados pela instituição, mas como declara o coordenador do CRAS SEDE o público alvo são jovens a partir de 12 anos, e famílias com renda de até três salários mínimo, pessoas com baixa escolaridade, ou que pertencem aos programas sociais do município. “As vagas são priorizadas ao público considerando as questões sociais, porém todos os cidadãos interessados tem direito a fazer a inscrição, de forma gratuita” ,conclui.
Para inscrições e mais informações:

CRAS SEDE: Rua José Cavassim, 382, Centro. Horário de atendimento: 8h às 17. Telefone: 3656-5572.

Fotos: Bruno do Carmo

SEGURANÇA PÚBLICA VAI GANHAR REFORÇO EM COLOMBO

Delegacia Cidadã virá para o município com novo conceito de atendimento às vítimas de violência

O deputado Mauro Moraes esteve presente no encontro com Cid Vasques e Beti Pavin

A prefeita Beti Pavin esteve reunida nesta quinta-feira, 05, com o secretário de Estado da Segurança Pública, Cid Vasques para conversar sobre a implementação da segurança pública em Colombo. Na ocasião, eles firmaram parceria e anunciaram a vinda de uma Delegacia Cidadã e da possibilidade de aumentar o efetivo para a Polícia Civil.

“Precisávamos de uma delegacia para atender as nossas mulheres que são vítima de violência e prestar um atendimento especializado à elas, e então o secretário nos sugeriu algo melhor e mais abrangente, que é a Delegacia Cidadã, um novo modelo de acolhimento e de auxílio à população agredida”, informa a prefeita.
Segundo Beti Pavin, a gestão verificou que as duas delegacias da cidade precisam de mais policiais e de boas condições de infraestrutura para o desempenho das funções destes profissionais, o que possibilitará mais qualidade no atendimento as pessoas. “O secretário sabe das necessidades de Colombo e vai nos apoiar e receberá o nosso aporte no que for preciso para oferecer segurança para a nossa gente”, destacou a prefeita.

Neste apoio à segurança pública, Colombo apresenta diversas iniciativas que vão de encontro a melhoria da qualidade de vida da população. Ações nas questões sociais e de ajuda às famílias, educação com boas condições de ensino aprendizagem, modernização e implementação de tecnologias, oferta de cursos profissionalizantes, entre outros, contribuem para estabelecer um futuro com mais condições para os colombenses.

Delegacia Cidadã

O secretário da Segurança Pública reunido com a prefeita de Colombo conversa sobre as necessidades do município

A Delegacia Cidadã é um novo modelo de atendimento em delegacias no Paraná, com espaços reservados para separar vítimas de agressores e possibilidade de auxílio de assistentes sociais e psicólogos, quando necessário. Com ambientes diferenciados para o primeiro atendimento ao cidadão e áreas específicas para confecção dos boletins de ocorrência, as Delegacias Cidadãs são planejadas para preservar a identidade das pessoas que precisarem recorrer ao local.

A proposta das Delegacias Cidadãs abrange o desenvolvimento de três tipos de padrões de construção, a serem utilizados conforme o porte do município ou densidade populacional. O objetivo é que as construções se tornem referência em atendimento de qualidade, transformando a imagem das delegacias de polícia.
Para o município de Colombo, será o Padrão II, em que a Delegacia possuirá uma área construída de 1.200m², divididos em 02 pavimentos, a um custo aproximado de R$4.500.000,00.

Também esteve presente na reunião o deputado estadual, Mauro Moraes.

Fotos: Bruno do Carmo

CENTRO DE CONVIVÊNCIA JARDIM DAS GRAÇAS ESCOLHE REI E RAINHA DA PRIMAVERA

Almoço de confraternização elegeu candidatos para representar a instituição no concurso final que será realizado no dia 29 de setembro

Vice-prefeito Ademir Goulart salientou a importância das políticas públicas para a qualidade de vida das pessoas da terceira idade

O Centro de Convivência Lírio do Vale, no Jardim das Graças promoveu o concurso para a escolha regional do Rei e Rainha da Primavera 2013. Na ocasião, os integrantes do grupo também participaram um almoço de confraternização e o tradicional baile da terceira idade.

Pela descontração e simpatia, para representar a instituição, foram eleitos o aposentado Adriano Moreira da Costa, 88 anos, e a aposentada Inês Pereira Bernadeli, 80 anos. A secretária da Ação Social e Trabalho, Maria Souza, explicou que em cada Centro de Convivência do município será realizada a escolha de dois candidatos para participarem no próximo dia 29, do concurso para eleger o Rei e da Rainha da Primavera 2013 do município. “O objetivo é a integração da família, inserção na cultura local, vivendo este momento da vida com prazer e alegria”.

Integrantes do Centro de Convivência Lírio do Vale também participaram de um almoço e baile

Durante o evento, o vice-prefeito Ademir Goulart, afirmou estar comprometido com os trabalhos sociais realizados no município e salientou a importância de implantar políticas públicas que gerem mais qualidade de vida para as pessoas da terceira idade.

Segundo a secretária Maria, envelhecer é um processo natural de todos os seres humanos, começa com a concepção e segue na trajetória da vida. “Até os mais jovens envelhecem a cada segundo e serão os idosos do seu tempo por isso estabelecemos boas práticas e atividades para este pessoal”, argumentou.

Estiveram presentes no evento o secretário de Planejamento, Ângelo Betinardi, a diretora do Departamento de Assistência Básica da Secretaria de Ação Social e Trabalho, Maria Helena Oliveira Mendes e a coordenadora do Centro de Convivência Jardim das Graças, Carmem Betinardi.

Fotos: João Senechal/PMC

DER PR RECUPERA 160 KM DE RODOVIAS NO NOROESTE

Mais de 200 mil paranaenses estão sendo beneficiados com as obras de conservação e recuperação que estão sendo feitas em quatro rodovias (PR 180, PR 468, PR 317 e PR 323)do Noroeste, passando por Cruzeiro do Oeste, Moreira Sales, Goioerê, Quarto Centenário, Mariluz, Perobal, Umuarama e Alto Piquiri. As obras nos 160 quilômetros – feitas pelo DER-PR - vão ficar prontas até o início de outubro deste ano. 

"As obras fazem parte do maior programa de recuperação e conservação de estradas do Paraná. O governador Beto Richa autorizou o aporte de R$ 840 milhões que estão sendo investidos na recuperação de 12 mil quilômetros rodovias. São mais dois mil trabalhadores nos canteiros de obras", diz o o secretário de Infraestrutura, Pepe Richa.

domingo, 8 de setembro de 2013

SEM CRÍTICA SOCIAL, FUNK DE OSTENTAÇÃO CAI NO GOSTO DA CLASSE MÉDIA


Nego Blue em show na Virada Cultural 2013, no centro de São Paulo / Dubes Sonego Junior

Popularização do estilo criado na periferia de São Paulo cresce, mas não o livra da criminalização

Quando deixou para trás o cavaquinho e as letras melosas de pagode para cair no universo do funk de ostentação Nego Blue viu sua vida mudar. Começou a assinar o nome com a sigla MC, seus shows mensais antes restritos às comunidades passaram a ocorrer cinco vezes por semana em boates da classe média e o dinheiro aumentou.

Nego Blue é estrela de um ritmo que ganha cada vez mais adeptos. Nele, tudo parece mais glamoroso: em vez de letras que exaltam armas, drogas e sexo explícito, prevalece a apologia a uma vida regrada a champagne, uísque, Camaros e mansões. “Estamos quebrando barreiras”, conta entusiasmado MC Nego Blue, nascido em Cidade Tiradentes e morador de São Mateus, zona leste de São Paulo. “O funk de ostentação me levou onde nunca sonhei estar. Quando me vi no Hard Rock Café, em Belo Horizonte, onde só para entrar são 200 reais, fiquei bobo. Não sabia se olhava os carros pendurados no teto ou para o público cantando”, lembra.

Mas a que se deve tamanha aceitação desse “novo funk” - até ontem “de preto, pobre e favelado”, como diz a música tocada exaustivamente pelo DJ Marlboro nas festas de classe média?  “As pessoas ficam menos escandalizadas ao ouvir músicas sobre marcas de roupa do que sobre drogas e crimes”, explica Danilo Cymrot, doutorando em criminologia pela USP que estuda o movimento de criminalização do funk. “No entanto, o que fortaleceu essa emergência do ostentação foi a repressão de um outro tipo de funk”, reforça.

O som mais “light”, que abre mão da crítica social - marca do rap e dos antigos proibidões - vem ganhando terreno em meio a uma onda que reprime os bailes funks em vias públicas. Em abril, a Câmara Municipal de São Paulo aprovou o projeto de lei 2/2013, dos vereadores Conte Lopes (PTB) e Coronel Camilo (PSD), que proíbe a realização de bailes funk em vias públicas, praças e parques, além de qualquer outro tipo de evento musical não autorizado. A proposta faz lembrar a Resolução 013/2007, assinada pelo secretário de segurança do Rio, José Mariano Beltrame, que dava plenos poderes para a polícia proibir ou autorizar eventos culturais, sociais ou esportivos de acordo com seus próprios critérios. A medida foi revogada em agosto e será reformulada depois de ter sido taxada de antifunk. Mas, por seis anos, coube à polícia militar dar aval a qualquer festa nas favelas “colonizadas” pelas UPPs.

“As manifestações culturais afrobrasileiras na nossa história sempre receberam um olhar criminalizante, como já foi com a capoeira e com o samba”, lembra Vera Malaguti Batista, professora de criminologia da UERJ e secretária geral do Instituto Carioca de Criminologia. “Já é tradição olhar as expressões culturais dos pobres, principalmente dos afrobrasileiros, com esse olhar.”

Maratona. Em São Paulo, embalado pelos cinco ou seis shows por semana, Nego Blue se vê envolto em fama e uma longa fila de meninas que esperam para tirar foto depois de um show no Club A Moema, que abriu espaço na agenda de música eletrônica para receber noites de funk de ostentação.

“As músicas do Nego Blue falam de sonhos que todo mundo quer ter: estar em lugares melhores, ter roupas boas, perfumes, bebidas caras”, observa seu produtor Ronaldo Dias. “E a classe alta gostou porque fala de uma visão sobre o mundo deles, um mundo que todos querem provar.”

Os números comprovam o sucesso. Um dos maiores hits do MC Nego Blue, a música É o Fluxo contabiliza 939.377 de visualizações no Youtube. Já o videoclipe de Na Pista Eu Arraso, do colega MC Guime, alcançou 15.384.559 visualizações em pouco mais de 3 meses.

“Vejo o estilo como uma consequência natural de uma cultura de massa em uma sociedade consumista”, observa Guilherme Pimentel, fundador da Associação de Profissionais e Amigos do Funk (Apafunk). “A ostentação é uma forma mais agressiva do jovem se sentir inserido nessa sociedade de consumo preconceituosa, que dá mais valor ao que você tem do que ao que você é. Esse estilo só vai perder força na cultura artística depois de perder força na sociedade.”

O interesse crescente, no entanto, não livra o estilo da criminalização que o ronda. A morte de MC Daleste em cima de um palco durante um show em julho mostra que, mesmo sendo melhor assimilado, o funk de ostentação não consegue livrar seus protagonistas do preconceito que os agride rotineiramente. “Se eu disser que não há discriminação pela cor, estou mentindo”, diz Nego Blue. “Basta eu colocar as naves [carros de luxo] na rua para tomar um enquadro atrás do outro.”

Marsílea Gombata, CartaCapital

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

IVETE IRRITADA TIRA CELULAR DA MÃO DE FÃ E DELETA SUA IMAGEM


Ivete se irrita com fã que fotografou sua calcinha; Cantora tomou o celular da mão do homem e apagou a imagem
A cantora Ivete Sangalo não gostou da atitude um fã ao perceber que ele fotografava sua calcinha durante um show. Ela tomou o celular dele e apagou a foto. As informações são do UOL.

O momento foi gravado e publicado no Youtube. Enquanto cantava uma música, Ivete pegou o celular da mão do homem e pediu para a banda: "Segura aí! Xô apagar essa imagem aqui... Um homem deste tamanho filmando minha calcinha. Ô papai apague essa imagem, é tão feio, um homem com essa idade filmando essas coisas, parece criança", disse, devolvendo o aparelho em seguida.

No show, Ivete usava um vestido assimétrico, curto apenas na parte da frente.

Assista ao vídeo:
 
                                        


                                                               GAZETA SANTA CÂNDIDA,
                              JORNAL QUE TEM O QUE FALAR

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

MINISTÉRIO PÚBLICO RECOMENDA QUE FUNERÁRIAS ATENDAM NORMA DO CONSELHO DE MEDICINA

RIO BRANCO DO SUL E ITAPERUÇU

Promotoria recomenda que funerárias atendam norma do Conselho de Medicina

A 1ª Promotoria de Justiça de Rio Branco do Sul expediu recomendação administrativa a todas as funerárias de Rio Branco do Sul e Itaperuçu para que adequem seus procedimentos de preparação de corpos (tanatopraxia) à Resolução n. 103/2002, do Conselho Regional de Medicina do Paraná.

A resolução regulamenta o tema, prevendo que as empresas que trabalham com o preparo ou conservação dos corpos devam, obrigatoriamente, ter registro no Conselho, sob responsabilidade técnica de um médico.

O documento da Promotoria também recomenda que a Vigilância Sanitária dos dois municípios fiscalize os estabelecimentos para verificar se estão cumprido o estabelecido na Resolução e que repassem as respectivas informações ao Ministério Público, no prazo de 30 dias. Da mesma forma, as funerárias têm o mesmo prazo para encaminhar à Promotoria informações sobre as providências tomadas, a fim de comprovar o atendimento da recomendação.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

ATO PÚBLICO INTERVENÇÃO DOS EUA NA SÍRIA

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EVENTO MARCA A ABERTURA DA SEMANA CÍVICA EM COLOMBO

Durante esta semana as escolas realizarão diversas atividades em comemoração a Independência do Brasil

Prefeita Beti Pavin e alunos na abertura da Semana Cívica em frente a Casa da Cultura

A manhã desta segunda-feira, 02, foi marcada pela abertura oficial da Semana Cívica em Colombo. Em frente a Casa da Cultura, na Sede do município, estudantes e autoridades participaram das comemorações que acontecerão durante toda esta semana nas escolas da rede pública.

Neste ato, recepcionados pela prefeita Beti Pavin e pela secretária da Educação, Cultura e Esporte, Aziolê Cavallari Pavin os alunos presentes representaram os estudantes da rede municipal, estadual e privada da cidade que somam mais de 40 mil alunos.

A prefeita Beti, falou que este momento é para que todos, autoridades e população, reflitam sobre as questões de cidadania. “Esta é uma ocasião muito especial para que nós, governantes e população tenhamos um momento de reflexão sobre o nosso papel e interação para juntos realizarmos melhores serviços”, disse a prefeita que desejou uma bela semana cívica a todos.

Fanfarra Municipal realiza apresentação em comemoração a proclamação da Independência
A secretária Aziolê, acompanhada da sua equipe técnica, destacou que os alunos, a família e a sociedade sejam exemplos de civismo, respeito e amor a pátria. “Desejo que todos incorporem este sentimento de civismo porque em vocês (alunos) há a expectativa de um mundo melhor”, disse.


Estiveram presentes na abertura da Semana Cívica em alusão a Independência do Brasil, proclamada em 07 de setembro de 1822, a Fanfarra Municipal de Colombo – Famcol, que abrilhantou o evento, os secretários municipais, vereadores e a população em geral.
Fotos: João Senechal/PMC

COMPAGAS VAI AMPLIAR REDE DE GÁS NATURAL NOS CAMPOS GERAIS

 
Compagas apresenta, entre os dias 3 e 5 próximos, o projeto de expansão da rede de gás natural para os Campos Gerais. A expansão prevê a construção de 80 quilômetros de tubulação em Ponta Grossa, Carambeí e Castro.  A ampliação da malha vai atender a demanda industrial, que na região conta com clientes como Ambev e Cargill. 

O presidente da Compagas, Luciano Pizzatto, disse que a orientação do governador Beto Richa é dotar a região de toda infraestrutura necessária para abrigar as novas indústrias captadas através do Programa Paraná Competitivo.  “Os Campos Gerais poderão contar com um combustível mais econômico e menos poluente, contribuindo para a qualidade do meio ambiente. Além disso, a disponibilidade de gás natural pode ser um vetor para atrair mais indústrias para região”, disse.

ONDA DE SUICÍDIOS ASSUSTA

Em um ano, 11 agentes da PF tiraram a própria vida. Atualmente, policiais morrem mais por suicídio do que durante combate ao crime. Conheça as possíveis causas desse cenário dramático

Josie Jeronimo e Izabelle Torres

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DRAMA Em 40 anos, 36 policiais federais perderam a vida no cumprimento da função.
Um terço desse total morreu por suicídio apenas entre 2012 e 2013
Vista do lado de fora, a Polícia Federal é uma referência no combate à corrupção e ainda representa a elite de uma categoria cada vez mais imprescindível para a sociedade. Vista por dentro, a imagem é antagônica.

 A PF passa por sua maior crise interna já registrada desde a década de 90, quando começou a ganhar notoriedade. Os efeitos disso não estão apenas na queda abrupta do número de inquéritos realizados nos últimos anos, que caiu 26% desde 2009. 

Estão especialmente na triste história de quem precisou enterrar familiares policiais que usaram a arma de trabalho para tirar a própria vida. Nos últimos dez anos, 22 agentes da Polícia Federal cometeram suicídio, sendo que 11 deles aconteceram entre março de 2012 e março deste ano: quase um morto por mês. O desespero que leva o ser humano a tirar a própria vida mata mais policiais do que as operações de combate ao crime. 

Em 40 anos, 36 policiais perderam a vida no cumprimento da função. Para traçar o cenário de pressões e desespero que levou policiais ao suicídio, ISTOÉ conversou com parentes e colegas de trabalho dos mortos. O teor dos depoimentos converge para um ponto comum de pressão excessiva e ambiente de trabalho sem boas perspectivas de melhoria.

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Agentes trabalham amordaçados em protesto contra condições desumanas de trabalho

Uma pesquisa realizada pela Universidade de Brasília (UnB) no ano passado mostrou que por trás do colete preto, do distintivo, dos óculos escuros e da mística que transformou a PF no ícone de polícia de elite existe um quatro grave. Depressão e síndrome do pânico são doenças que atingem um em cada cinco dos nove mil agentes da Polícia Federal. 

Em um dos itens da pesquisa, 73 policiais foram questionados sobre os motivos das licenças médicas. Nada menos do que 35% dos entrevistados responderam que os afastamentos foram decorrentes de transtornos mentais como depressão e ansiedade. “O grande problema é que os agentes federais se submetem a um regime de trabalho militarizado, sem que tenham treinamento militar para isso. Acreditamos que o problema está na estrutura da própria polícia”, diz uma das pesquisadoras da UnB, a psicóloga Fernanda Duarte.
O drama dos familiares dos policiais que se suicidaram está distribuído nos quatro cantos do País. A última morte registrada em 2013 ainda causa espanto nas superintendências de Roraima, onde Lúcio Mauro de Oliveira Silva, 38 anos, trabalhou entre dezembro do ano passado e março deste ano. Mauro deixou a noiva no Rio de Janeiro para iniciar sua vida de agente da PF em Pacaraima, cidade a 220 quilômetros de Boa Vista. 

Nos 60 dias em que trabalhou como agente da PF, usou o salário de R$ 5 mil líquidos para dar entrada em financiamento de uma casa e um carro. O sonho da nova vida acabou com um tiro na boca, na frente da noiva. Cinco meses se passaram desde a morte de Mauro e o coração de sua mãe, Olga Oliveira Silva, permanece confuso e destroçado. “A Federal sabia que ele não tinha condições de trabalhar na fronteira. Meia hora antes de morrer, ele me ligou e disse: Mainha, eu amo a senhora. Perdoa eu ter vindo pra cá sem ter me despedido”.
 
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Relatos de colegas de Mauro dão conta que ele chegou a sofrer assédio moral pela pouca produtividade, situação mais frequente do que se poderia imaginar. Como ele, cerca de 50% dos agentes federais já chegaram a relatar casos de assédio praticados por superiores hierárquicos.

 Essas ocorrências, aliadas a fatores genéticos, à formação de cada um e à falta de perspectivas profissionais, são tratadas por especialistas como desencadeadoras dos distúrbios mentais. “A forma como a estrutura da polícia está montada tem causado sofrimento patológico em parte dos agentes.

 Há dificuldades para enfrentar a organização hierárquica do trabalho. As pessoas, na maioria das vezes, sofrem de sentimentos de desgaste, inutilidade e falta de reconhecimento. Não é difícil fazer uma ligação desse cenário com as doenças mentais”, afirma Dayane Moura, advogada de três famílias de agentes que desenvolveram doenças psíquicas.

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Os distúrbios mentais e a ocorrência de depressão em policiais são geralmente invisíveis para a estrutura da Polícia Federal. De acordo com o Sindicato dos Policiais do Distrito Federal, há apenas cinco psicólogos para uma corporação de mais de dez mil pessoas.

 Não há vagas para consultas e tampouco acompanhamento dos casos. Foi nessa obscuridade que a doença do agente Fernando Spuri Lima, 34 anos, se desenvolveu. Quando foi encontrado morto com um tiro na cabeça, em julho do ano passado, a Polícia Federal chegou a cogitar um caso de vingança de bicheiros, uma vez que ele tinha participado da Operação Monte Carlo.

 Dias depois, entretanto, descobriu-se que Spuri enfrentava uma depressão severa há meses. O pai do agente, Fernando Antunes Lima, reclama da falta de estrutura para um atendimento psicológico no departamento de polícia. “Os chefes estão esperando quantas mortes para tomar uma ação? Isso é desumano e criminoso”, diz ele.
O drama de quem perdeu um familiar por suicídio não se limita aos jovens na faixa dos 30 anos. Faltavam dois anos para Ênio Seabra Sobrinho, baseado em Belo Horizonte, se aposentar do cargo de agente da Polícia Federal. Com histórico de transtorno psicológico, o policial já havia comunicado à chefia que não se sentia bem. Solicitou, formalmente, ajuda. Em resposta, a PF mandou dois agentes à sua casa para confiscar sua arma. 

Seabra foi então transferido para o plantão de 24 horas, quando o policial realiza funções semelhantes às de um vigia predial. A missão é considerada um castigo, pois não exige qualquer treinamento. No dia 14 de outubro de 2012, Seabra se matou, aos 49 anos. Apesar de estar perto da aposentadoria, a família recebe pensão proporcional com valor R$ 2 mil menor do que os vencimentos do agente, na ativa.
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Fruto de uma especial combinação de fatores negativos, internos e externos, o suicídio nunca foi uma tragédia de fácil explicação para a área médica nem para estudiosos da vida social. Lembrando que toda sociedade, em qualquer época, tem como finalidade essencial defender a vida de seus integrantes, o sociólogo Émile Durkheim (1858-1917) demonstrou que o suicídio é a expressão mais grave de fracasso de uma comunidade e que raramente pode ser explicado por uma razão única. 

Ainda que seja errado apontar para responsabilidades individuais, a tragédia chegou a um nível muito grande, o que cobra uma resposta de cada parcela do Estado brasileiro que convive com esse drama.
 FONTE: ISTO É
fotos: Cesar Greco / Foto arena; Adriano Machado

AS MENTIRAS A RESPEITO DO ''ARREPENDIMENTO '' DA GLOBO


Globo divulgou nota de arrependimento por ter apoiado o golpe militar de 1964 (Reprodução)

A Globo foi e é parte diretamente interessada no assalto ao poder que interrompeu a democracia brasileira em março de 1964. Não se trata de um fato isolado, como tenta edulcorar a nota divulgada


Não se sabe ainda se há relação de causalidade entre uma coisa e outra.


O fato é que manifestantes do Levante Popular guarneceram a sede da Globo em SP, neste sábado (31), com fezes. A retribuição, em espécie, dizem os integrantes do protesto, remete ao conteúdo despejado diuturnamente pela emissora nos corações e mentes da cidadania brasileira.

Apenas algumas horas depois, uma nota postada no site do jornal ‘O Globo’ manifestava o arrependimento da corporação pelo editorial de 2 de abril de 1964, de apoio ao golpe que derrubou Jango e instalou, por 21 anos, uma ditadura militar no país (Leia os dois textos ao final desta nota).

Se a matéria-prima do protesto motivou a purgação é imponderável.

Mas por certo a recíproca é verdadeira.

O fecalismo voador de que foi alvo o edifício-sede das Organizações Globo na capital paulista é decorrência da ação coesa, contínua, não raro beligerante, que o maior grupo de mídia do país tem dispensado contra ideais e forças progressistas do país.
A nota deste sábado é histórica.

Mais pela evidência da mudança na correlação de forças que obriga a emissora a se desfazer de um legado incomodo, do que pelo arrependimento que simula.

Na verdade, nem simula direito.

A nota faz malabarismo, tergiversa e mente para justificar o golpe que apoiou ostensivamente.

No fundo, apenas lamenta ter sido tão desabrida, como se não houvesse amanhã.

O amanhã chegou.
Seja na forma de matéria fecal, protestos massivos, redes alternativas de informação, desqualificação ética, queda de audiência e desprestígio editorial.

O fato é que há na sociedade um discernimento crescente em relação aos verdadeiros propósitos e interesses que movem o noticiário, as campanhas e perseguições movidas pelas Organizações Globo contra projetos, direitos, governos, lideranças e partidos.

A Globo foi e é parte diretamente interessada no assalto ao poder que interrompeu a democracia brasileira em março de 1964.


Não se trata de um editorial isolado, como tenta edulcorar a nota deste sábado.

São 49 anos de pautas pós-golpe. E décadas de idêntico engajamento pré-64.


Ou terá sido coincidência que, em 24 de agosto de 1954, consternado com a notícia do suicídio de Vargas, o povo carioca perseguiu e escorraçou porta-vozes da oposição virulenta ao Presidente; cercou e depredou a sede da rádio Globo, que saiu do ar?


O mesmo cerco que levaria Vargas ao suicídio, asfixiou Jango, dez anos depois.

Foi da mídia (a Globo na comissão de frente), a iniciativa de convocar o medo, a desconfiança, o linchamento das reputações que levariam uma parte da classe média a apoiar o movimento golpista.


Mente a nota ‘arrependida’, ao afirmar, citando Roberto Marinho, em 1984: “os acontecimentos se iniciaram, como reconheceu o marechal Costa e Silva, ‘por exigência inelutável do povo brasileiro’. Sem povo, não haveria revolução, mas apenas um ‘pronunciamento’ ou ‘golpe’, com o qual não estaríamos solidários.”


Quem inoculou o terror anticomunista na população, de forma incessante e sem pejo?

Quem gerou o pânico, a contrapelo dos fatos mostrou um governo isolado e manipulado ‘pelo ouro de Moscou’?


O acervo do Ibope, catalogado pelo Arquivo Edgard Leuenroth, da Unicamp, reúne pesquisas de opinião pública feitas às vésperas do golpe.


Os dados ali preservados foram cuidadosamente ocultados pela mídia no calor dos acontecimentos e por décadas posteriores.


Agora conhecidos, ganham outro significado quando emoldurados pela atuação do aparato midiático ontem – mas hoje também.


Enquetes levadas às ruas entre os dias 20 e 30 de março de 1964, quando a democracia já era tangida ao matadouro pelos que bradavam a sua defesa em manchetes e editoriais, mostram que:


a) 69% dos entrevistados avaliavam o governo Jango como ótimo (15%), bom (30%) e regular (24%). Apenas 15% o consideravam ruim ou péssimo, fazendo eco dos jornais.


b) 49,8% cogitavam votar em Jango, caso ele se candidatasse à reeleição, em 1965 (seu mandato expirava em janeiro de 1966); 41,8% rejeitavam essa opção.


c) 59% apoiavam as medidas anunciadas pelo Presidente na famosa sexta-feira, 13 de março.


Em um comício que reuniu, então, 150 mil pessoas na Central do Brasil (o país tinha 72 milhões de habitantes) Jango assinou decretos que expropriavam as terras às margens das rodovias, para fins de reforma agrária; e nacionalizou refinarias de petróleo.


As pesquisas sigilosas do Ibope formam apenas o arremate estatístico de um jornalismo que ocultou – e oculta – elementos da equação política; convocou, exortou, manipulou, incentivou e apoiou a derrubada violenta do Presidência da República, em 31 de março de 1964.


O editorial ‘O Renascimento da Democracia’, de que se arrepende a empresa ora guarnecida com resíduo fecal, não foi um ponto fora da curva. Mas seu desdobramento natural.


Não se deduza disso que a democracia brasileira vivia então mergulhada na paz de um lago suíço.

Num certo sentido, vivia-se, como agora, o esgotamento de um ciclo e o difícil parto do novo.

Uma parte da sociedade – majoritária, vê-se agora pelos dados escondidos no acervo do Ibope – considerava no mínimo pertinente o roteiro de soluções proposto pelas forças progressistas aglutinadas em torno do governo Jango.


As reformas de base – a agrária, a urbana, a fiscal, a educacional — visavam destravar potencialidades e recursos de um sistema econômico exaurido.


Jango pretendia associar a isso um salto de cidadania e justiça social.

O que importa reter aqui, como traço de atualidade inescapável, é o comportamento extremado do aparato midiático diante desse projeto.


Convocada a democracia e a sociedade a discutir o passo seguinte da história brasileira, os campeões da legalidade de ontem e de hoje optaram pelo golpe.


Deram ao escrutínio popular um atestado de incompetência política para formar os grandes consensos indispensáveis à emergência de um novo ciclo de desenvolvimento com maior justiça social.

Não há revanchismo nesse retrospecto.


Pauta-o a necessidade imperativa de dotar a democracia brasileira das salvaguardas de pluralidade midiática e participação social que a preservem da intolerância conservadora.

Aquela que em 54 matou Getúlio.


Em 1964, negou à sociedade a competência para decidir o seu destino.

Em 2002 fez terrorismo contra Lula.


Em 2005 tentou derrubá-lo e impedir a sua reeleição em 2006.

E assim se sucede desde 2010, contra Dilma.


A exemplo do que se assiste agora contra o PT e suas lideranças, ao mesmo tempo em que se exacerba a gravidade dos desafios econômicos na manipulação das expectativas dos mercados.

Veiculado pela família Marinho dois dias depois do golpe, o editorial do Globo, não foi um ponto fora da curva.


Ele consagra um método.


Que a experiência recente não pode dizer que caiu em desuso

Mas que vive um ponto de saturação.


Ilustra-o a necessidade de mostrar arrependimento.

Bem como o sugestivo odor exalado das paredes da sede da Globo em São Paulo.


Saul Leblon, blog das frases