![]() |
Rede de Marina Silva ‘pesca’ em águas de Cachoeira (Foto: Divulgação) |
A que se deve a aversão da sociedade à política? Numa frase: o povo é
incapaz de reconhecer o valor ético-moral dos políticos e estes são
incapazes de demostrá-lo. O nível anda tão precário que os partidos
tornam-se devedores de explicação antes mesmo de nascer.
Veja-se o que informa abaixo o repórter Vinicius Sassine sobre a
Rede, a legenda que Marina Silva tenta erigir. Para obter a certidão de
nascimento no TSE, terá de recolher mais de 500 mil assinaturas em pelo
menos nove Estados. Demarcou o início do esforço num ato em Brasília, no
dia 16 de fevereiro.
Entre os presentes havia pelo menos dois personagens tóxicos. Ambos
do PSOL de Goiás -um vereador, outro presidente local da legenda. A
dupla levou para o ato estrelado por Marina a bola de ferro de relações
mantidas com ninguém menos do que Carlinhos Cachoeira. Fica a impressão
de que partido político limpo é utopia irrealizável. Falta matéria
prima.
REDE de Marina atrai nomes do PSOL envolvidos com Cachoeira
Por Vinicius Sassine
Um vereador
e um dirigente nacional do PSOL envolvidos no escândalo do bicheiro
Carlinhos Cachoeira participaram do ato público que marcou o lançamento
da Rede Sustentabilidade (REDE), em Brasília, no último dia 16: o
vereador de Goiânia Elias Vaz e o segundo secretário de Relações
Internacionais do PSOL, Martiniano Cavalcante. O novo partido da
ex-senadora Marina Silva está em fase de coleta de assinaturas.
Elias
Vaz aparece em conversas telefônicas gravadas para a Operação Monte
Carlo e frequentou a chácara do bicheiro em Anápolis (GO).
Martiniano Cavalcante recebeu um depósito de R$ 200 mil de uma das
empresas-fantasmas do esquema, a Adécio e Rafael Construções, abastecida
pela Delta Construções. O Conselho de Ética do PSOL abriu dois
procedimentos para investigar a atuação dos militantes.
No lançamento da REDE, que precisa de mais de 500 mil assinaturas
para ser criada, Martiniano defendeu a ética, criticou caciques da
política nacional que seriam fichas-sujas e comemorou a assinatura do
senador Eduardo Suplicy (PT-SP) como sendo a primeira coletada para a
criação da legenda. Já Elias Vaz estava acompanhado de outros filiados ao PSOL interessados em ingressar na REDE.
O depósito de R$ 200 mil a Martiniano, a partir de uma conta da
Adécio e Rafael, foi feito em 20 de dezembro de 2011. Depois da
deflagração da Operação Monte Carlo pela Polícia Federal, em 29 de
fevereiro de 2012, o dirigente do PSOL — ele é presidente da sigla em
Goiás — passou a ser cobrado pela mulher do bicheiro, Andressa Mendonça,
que também é investigada pela PF. Um cheque nominal a Andressa, no
valor de R$ 220.816,00, foi depositado na conta dela depois da ação da
PF.
— É um dinheiro que tomei com agiota e paguei juros. Claro que sabia
que era do Cachoeira, mas isso não é crime — disse Martiniano.
O dirigente do PSOL tem uma empresa de construção civil e afirma não
ter feito negócio ilícito com Cachoeira. Segundo ele, as explicações
foram dadas à CPI do Congresso que terminou em pizza no fim de 2012. Em
setembro, a Executiva Nacional do PSOL afastou Martiniano das funções de
direção no partido. Depois, reviu a decisão para assegurar o direito de
defesa.
— A primeira resolução foi decidida de forma monocrática, imperial,
malandra, maldosa. Só não estou à frente do PSOL porque estou saindo.
Tenho 40 anos de militância de esquerda — afirma ele.
Já Vaz chegou a ser tratado por um colega vereador, em conversas com
Cachoeira, como um “Demóstenes diferenciado”, em referência ao senador
cassado Demóstenes Torres, que perdeu o mandato por causa das relações
com o bicheiro. Em ligação telefônica, Elias e Cachoeira comemoram
decisão da Justiça que paralisou a obra de uma concessionária de
veículos. Os dois falam sobre uma reunião com “Martiniano”: “Eu tô com
vontade de entrar com ele nisso aí, viu, inclusive a Delta também tem
interesse”, diz o bicheiro.
— Conheci o Cachoeira, conversei com ele, mas contrariei interesses
dele. Existe é muita conversa de terceiros. As suspeitas foram todas
esclarecidas, e eu mesmo pedi para ser investigado pelo Conselho de
Ética do PSOL — disse Vaz.
A Comissão Nacional Provisória da Rede Sustentabilidade afirma que as
acusações contra Martiniano foram informadas por ele aos fundadores do
partido. “Ele apresentou elementos usados em sua defesa que foram
considerados comprobatórios de lisura empresarial. Não foi identificada
nenhuma contradição entre seus atos e os princípios que norteiam o
processo de construção do novo partido político”, cita a nota. Sobre
Vaz, a comissão sustenta que ele “não faz parte do grupo fundador da
REDE”. A REDE excluiu de seu estatuto o veto à filiação de fichas-sujas
ao partido. O objetivo, segundo os fundadores, é permitir a filiação de
militantes de movimentos sociais que respondem a processos na Justiça.
Jornal O Globo
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.