quarta-feira, 31 de julho de 2013

ASSOCIAÇÃO COMERCIAL ENVERGONHA O PARANÁ




Escrito por José Gil   
A Associação Comercial do Paraná se prepara – na gestão presidida por Edson José Ramon – para homenagear o ex-governador e ex-prefeito Jaime Lerner, através da entrega da maior comenda da entidade.

ildefonso correa
O ato cobre de vergonha os paranaenses que conhecem a história de luta e resistência dos primeiros presidentes da ACP, e não concordam com puxasaquismo ou politicagem.

Como é possível homenagear um político que trouxe para o Paraná os pedágios mais caros do país? E isso considerando que os pedágios do Brasil estão entre os mais caros do mundo.

Como é possível homenagear um político em cujo governo ocorreu a maior roubalheira de todos os tempos em nosso Estado, a quebra fraudulenta do Banestado (com prejuízo de 19 bilhões para os paranaenses), um banco que prestou relevantes serviços ao nosso povo ao longo de sua história, beneficiando os comerciantes a quem o presidente da ACP afirma representar e defender?

Como é possível homenagear um político que privatizou uma parte da Sanepar e tentou privatizar a Copel, em um tempo em que privatização era sinônimo de roubalheira e corrupção?

Como é possível homenagear um político que é o maior responsável por Curitiba não ter metrô, sendo uma das poucas grandes capitais a persistir nesse atraso enquanto o trânsito da cidade fica cada vez mais congestionado, unicamente para beneficiar as empresas do transporte coletivo?

Esta homenagem da ACP é uma afronta aos paranaenses honrados, dignos e trabalhadores, que pagam os pedágios mais caros do país e do mundo, que pagam até hoje a roubalheira no Banestado (70 milhões mensais até o ano de 2029), e sofrem no trânsito o resultado nefasto de uma política de transporte coletivo retrógrada, balizada por propaganda equivocada.

Ao relembrar a ação heroica de Ildefonso Pereira Correia, barão do Cerro Azul, de David Carneiro, dirigentes da Associação Comercial que não se rendiam ao puxasaquismo de políticos de qualquer natureza, pagando um alto preço por defender os comerciantes e os empresários locais, devemos lembrar que eles desafiavam os governantes de plantão. O Barão do Cerro Azul pagou com a própria vida - foi assassinado na Serra do Mar - por defender Curitiba, impedindo o saque e destruição da cidade em 20 de fevereiro de 1894, por João Meneses Dória e seus 150 cavalarianos.

Esta triste homenagem a ser prestada pela Associação Comercial do Paraná é também uma homenagem ao pedágio mais caro do país, à quebra do Banestado, às privatização da Copel e Sanepar? Caso seja, a ACP acabe de escrever uma das páginas mais vergonhosas da história paranaense.

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